Deserto e hotel de sal no Altiplano boliviano

O Deserto de Siloli é um dos destaque do Altiplano boliviano
Deserto de Siloli

Antes de falar do Deserto de Siloli e do hotel de sal, vou dar continuidade ao relato do nosso perrengue. Como havia comentado anteriormente, meu marido sentiu os efeitos da altitude e dormiu muito mal na primeira noite. Consequentemente, eu também, que acabei tendo insônia no Altiplano boliviano. No dia seguinte, durante o café da manhã, foi um alívio perceber que não éramos os únicos com a cara da derrota e levemente mal-humorados.

Cada um a seu jeito sentiu os efeitos da dormida a mais de 4. 500 metros de altitude no Altiplano boliviano. Na saída do refúgio, os motoristas dos dois grupos – o nosso e dos outros brasileiros – decidiram que fariam o restante do percurso juntos. Foi uma decisão acertada, como detalharei mais adiante.

Deserto de Siloli

Do refúgio, fizemos outra parada na Laguna Colorada, só que em outra margem, o que proporcionou uma paisagem totalmente diferente, Mas tão deslumbrante quanto a do dia anterior. De lá, seguimos para o Deserto de Siloli, que mais parece uma pintura com suas montanhas em variados tons.

Essa variação de cores deve-se à alta concentração de enxofre no local. Um dos pontos mais conhecidos desse deserto é o Arbol de Piedra, formação rochosa formada pela ação dos ventos que lembra uma árvore. Um pouco mais adiante, visitamos uma região povoada por viscachas, primas distantes das lebres e dos coelhos.

O Árbol de Piedra fica no Deserto de Siloli, no Altiplano boliviano
O Árbol de Piedra é uma das atrações do Deserto de Siloli

Lagunas Honda, Cañapa e Hedionda

Na sequência, paradas estratégicas para fotos nas Lagunas Honda, Cañapa e Hedionda. Em espanhol, hedionda significa fedida, mal cheirosa. A laguna recebeu esse nome por causa do mau cheiro que ela exala devido à presença do gás sulfrídico. Ele também é inflamável, ou seja, não pense em acender um cigarrinho. Em seus arredores, há várias mesinhas e cadeiras para os viajantes fazerem suas refeições.

Enquanto admirávamos a paisagem do Altiplano boliviano, nosso guia preparava o almoço. No cardápio: arroz, alface, tomate, milho e atum. Percebam que a alimentação é bem simples e por isso mesmo é super válido levar algum enlatado para complementar a refeição. Fechamos o dia passando a 15 km do Vulcão Ollague, o qual sua fumaça denuncia que ele encontra-se ativo.

Foto de uma mesa de almoço posta: arroz, palmito, tomate, milho, azeitona, Coca-Cola e água
O almoço é bem simples e servido ao ar livre
O Vulcão Ollague é o único ativo no Altiplano boliviano
O Vulcão Ollague continua ativo

A caminho do povoado de San Juan, o pneu do nosso carro furou. Levamos mais de uma hora para trocá-lo porque foi difícil retirar o step do suporte que ficava na parte debaixo do veículo. Além dos motoristas, boa parte dos passageiros envolveu-se na operação. Mais do que o tempo gasto para a troca do pneu, o que me surpreendeu é que neste período não passou nenhum veículo por nós.

Hotel de Sal no Altiplano boliviano

Passado esse imprevisto, seguimos para San Juan, onde pernoitaríamos em um hotel de sal. O local é todo feito com blocos de sal: paredes, piso, teto, mesas, camas … E o melhor de tudo: ele oferece banho quente !!!! Como a energia do local é instável, não estranhe se a temperatura da água oscilar. Isso é sinal de que outras pessoas estão tomando banho na mesma hora que você.

Uma simples troca de pneu levou uma hora
No hotel de sal, comemos e dormimos muito bem
Múmia da Necrópole Kawsay Wasy

Depois de banhados e alimentados, fomos visitar a necrópole Kawsay Wasy, que fica a uns 300 metros do hotel de sal. Nas tumbas, é possível ver as múmias de adultos e crianças de uma civilização pré-inca. O local conta também com um pequeno museu, onde é possível conhecer a história dessa civilização. Além do acervo arqueológico, o que chamou a nossa atenção foi a organização, a sinalização e a comunicação bilíngue do espaço.

Logo descobrimos que a construção do museu teve o apoio do governo alemão, o que explica muito da organização do espaço. No entanto, foi inevitável não pensar que essa ajuda deve ter tido um preço alto e que alguns achados arqueológicos não devem mais estar em solo boliviano. Mas isso é pura especulação … O fato é que a visita vale a pena e se paga pouquinho para isso (15 bolivianos/ R$ 9).

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