Dicas para visitar o Salar de Uyuni

Laguna Canapa, nos Altiplanos Bolivianos, com flamingos em seu interior
Laguna Canapa, nos Altiplanos Bolivianos

À medida que eu ia pesquisando sobre a Bolívia ia ficando um pouco apreensiva pelos relatos de infraestrutura precária embora todos fossem unânimes em dizer que a experiência compensava. O que posso dizer é que o bicho não é tão feio quanto pintam. Mas é importante estar preparado – em especial, psicologicamente – para hospedagens compartilhadas e alimentação limitada. Então, se liga nas nossas dicas para visitar o Salar de Uyuni:

Dicas para os passeios

Depois do exercício de desapego, o mais importante é a escolha da agência para a compra do tour. Como há muita oferta de agências na cidade, não é necessário contratar o serviço com antecedência. Em nosso primeiro dia em São Pedro, além da aclimatação com a altitude, fomos pesquisar e comprar os tours para o Deserto do Atacama/ Salar. Uma das dicas é pagá-los à vista para barganhar algum desconto.

No nosso caso, contratamos os serviços da Cordillera Traveller, mas ouvimos relatos positivos da Colque Tours e da World White Travel. Geralmente, os tours incluem o transporte em veículo 4×4 para 06 pessoas, motorista/ guia, todas as refeições, hospedagem e todos os passeios. No entanto, o ingresso à Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa (150 bolivianos/ R$ 81) tem que ser pago à parte na entrada do parque. Ele tem validade de quatro dias.

Uma vez contratado o tour, um micro-ônibus da agência pega os passageiros de manhã bem cedo em suas respectivas hospedagens e os leva até a imigração boliviana. Leva-se, aproximadamente, 1 hora para percorrer o trajeto e é gritante a diferença entre as estradas dos dois países. Sabe-se que está se deixando o território chileno quando o asfalto acaba e começa uma estrada de chão batido. A estrutura da imigração boliviana é pequena e sofrível.

É importante ficar nas dicas para não passar perengue na viagem
Posto da imigração boliviana tem infraestrutura precária

Dicas para imigração boliviana

Como os micro-ônibus chegam ao posto mais ou menos no mesmo horário, forma-se uma fila considerável e demorada na área externa a uma temperatura de 0o grau (e olha que estávamos na primavera). As agências improvisam uma estrutura para os turistas tomarem café da manhã e se protegerem do frio. Mas uma hora você terá que encarar a fila da imigração e um casaco corta-vento vem bem a calhar. E o banheiro ? Bem, essa parte é um pouco constrangedora, mas, como dizem os próprios guias, você terá que usar a “naturaleza”.

Durante quatro dias, percorremos cerca de 500 km com algumas paradas estratégicas. A cada dia uma paisagem diferente: lagos cristalinos, lagoas avermelhadas, gêiseres a todo o vapor e vulcões. Tivemos sorte que a Cordillera nos colocou em um veículo com mais duas chinesas. Ouso dizer que quatro pessoas é a quantidade ideal de passageiros porque todos ficam mais confortáveis no veículos. Já as bagagens não ficam empoeiradas como quando acondicionadas na parte de cima do carro.

Dicas de higiene e vestimenta

O passeio vale muito a pena, mas prepare-se para passar quatro dias rodando de carro, dormindo em lugares nada confortáveis e fazendo refeições bem simples. A dica é usar roupas e sapatos confortáveis. Dormir no refúgio significa compartilhar o quarto com outras pessoas e levar sua própria toalha e papel higiênico. No nosso caso, pegamos emprestadas as toalhas do hostel que estávamos hospedados em São Pedro. Compramos no comércio da cidade itens de higiene pessoal, como lenços umedecidos que quebraram o galho na falta de banho do primeiro refúgio.

Dicas para refúgio: leva baralho para passar o tempo e lenços umedecidos para o asseio
Refúgios são hospedagens no meio dos Altiplanos Bolivianos

Algumas pessoas levam sacos de dormir para colocar sobre as camas por causa da higiene. Vamos combinar que um refúgio perdido do meio do nada não deve ter a roupa de cama trocada com tanta periodicidade. Confesso que abrimos mão do item por não querermos levar muito peso. Não sei se tivemos sorte, mas achei o refúgio limpinho.

Alguns imprevistos

O ruim mesmo foi ter tido insônia e não ter o que fazer porque o gerador era desligado às 22h e não podia usar o celular para economizar a bateria. Até ensaiei dar uma volta pelas áreas comuns do refúgio e contemplar a paisagem externa. Mas depois de meia-hora dá um tédio só. A minha monotonia foi quebrada pelo meu marido, que acordou com falta de ar … Efeito dos 4.000 m de altitude em que nos encontrávamos.

Embora tenhamos visto alguns viajantes solitários, não é recomendado fazer o passeio por conta própria porque a região é uma área isolada e com poucos pontos de apoio. Até os motoristas dos tours preferem fazer o trajeto em duplas para dar um suporte em caso de alguma eventualidade. O pneu do nosso carro furou e a troca levou quase uma hora porque os motoristas tiveram dificuldades em colocar o step. Nesse intervalo de tempo, não passou nenhum veículo por nós.

É importante levar remédios para dores de cabeça, enjoo por causa dos efeitos da altitude e umidificadores das vias nasais. Ainda na vibe do que colocar na bagagem, leve baterias de celular e cartões de memórias extras. Não há energia elétrica na região e nos hotéis de sal ela é bem instável.

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