Trekking à Base das Torres del Paine

Base das Torres del Paine: o trekking mais famoso do parque
9 km de caminhada para contemplar essa paisagem

Planejamento

Antes de Torres del Paine, minhas caminhadas limitavam-se a poucos quilômetros e não duravam mais de 2 horas. Então, quando descobrimos que os principais trekkings eram o Circuito W (7 dias), Circuito O (8 dias) e Base das Torres (10h), não foi muito difícil descartamos as duas primeiras.

Uma vez definida a caminhada, a decisão seguinte era fazê-la acompanhada de um guia ou por conta própria. Depois de pesquisar muito e conversar com quem já fez esse trekking, optamos em não contratar esse tipo de serviço. O parque é bem sinalizado e durante os 18 km de percurso sempre cruzamos com outras pessoas.

O caminho do trekking é mais sinalizado
O parque é bem sinalizado e é comum encontrar com outros visitantes

Ainda na fase de planejamento, é importante saber que tipo de roupa levar para o trekking. Nosso grupo estava com casacos e calças impermeáveis e corta-vento. Esse tipo de casaco fez toda diferença, pois pegamos chuva com vento no início da caminhada.

Também é importante ficar atento ao preparo físico. Na precisa ser atleta para fazer a caminhada. Mas o esforço físico é muito grande nos trechos de subida e na parte final que tem muitas pedras. Mesmo praticando atividades físicas com frequência e fazendo esteira com elevação, eu senti MUITO o trekking. Não falo isso para ninguém desistir. Pelo contrário, o passeio é uma experiência única, mas é preciso estar preparado para ele.

Por fim, é preciso levar também lanches para comer no caminho embora exista um ponto de apoio no Refúgio Chileno. Para não pesar muito na bolsa térmica, tomamos um café da manhã reforçado e preparamos três sanduíches para cada acompanhados de sucos. A ideia era fazer um lanche na ida e outro na volta do trekking. Também levamos barras de chocolate para dar aquela animada nos momentos mais tensos.

Encarando os 18 km do trekking

O trekking nos reserva paisagens de tirar o fôlego

Normalmente, as pessoas levam entre 8 h e 10 h para fazer o percurso completo do trekking Base das Torres. Nosso grupo conseguiu a “proeza” de fazer em 11h30min. Só não saímos do parque no escuro porque no verão os dias chegam a ter 18 h de luz solar. Então, se liga na primeira dica. Programe-se para começar a caminhada, no máximo, às 10 h para que você tenha tempo de sobra para eventuais perrengues e atrasos.

O trekking começa no Refúgio Las Torres que, além da área de camping, conta com uma estrutura de alimentação, banheiros e informação aos visitantes. Até chegarmos ao Refúgio Chileno são 5 km de subida, com muitos trechos íngremes e estreitos. No início, pegamos um pouco de chuva, o que fez todo mundo se agasalhar com o casaco impermeável e corta-vento. No entanto, na medida que íamos subindo, o sol foi se impondo e nos obrigou a ficar somente com a segunda pele.

Área para alimentação no Refúgio Chileno

Foram 2 h de caminhada até avistar o Refúgio Chileno, onde contamos com uma estrutura de alimentação e banheiro ($ 1 peso chileno). Passamos uns 30 minutos comendo e descansando para em seguida pegar trechos mais planos e arborizados. A trilha pelo bosque durou aproximadamente 1 h. Quando estávamos tomando gosto pela coisa, eis que surgiu um descampado cheio de pedras. Sinal de que estávamos chegando na última e pior parte do trekking.

Pior parte do trekking

Não foi fácil encarar mais uma subida e, para piorar, com pedras. Nesse trecho, que levamos 1h30min para percorrer, aconteceu algo muito engraçado, que já tinha lido em outros blogs. As pessoas que estavam voltando do trekking, ao perceberem o nosso desânimo com essa parte da caminhada, espontaneamente nos diziam palavras de incentivo: “Tá perto”, “falta pouco”, “vale a pena”. O curioso é que quando perguntávamos se faltava muito, as pessoas respondiam que não, que era logo ali; mas nada de nos depararmos com as Torres. Até que duas brasileiras jogaram a real: “não é só meia hora não e vai ficar pior à medida que vocês se aproxima”.

A parte final do trekking requer cuidado para evitar acidentes nas pedras

De fato, a parte final é punk, mas a chegada no lago que fica na base das Torres é muito reconfortante e revigorante. Sei que é clichê, mas quando você tá ali, admirando aquele local, você tem a certeza de que todo o esforço e as três quedas (duas na subida e uma na descida) valeram a pena. Ficamos por lá uns 30 minutos e depois encaramos os 9km de volta.

Obviamente, o retorno foi mais rápido, mas como estávamos cansados, diminuímos um pouco o ritmo e quando chegamos no Refúgio Las Torres, já eram quase 9h da noite, mas com um sol de 4 da tarde. Nessa altura do campeonato, tudo que eu queria era sentar no carro, tomar um relaxante muscular e chegar em Puerto Natales.

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